Azul sem nome


longo destino sob a noite nas pedras de ninguém
quando o rio destoa das vertentes do céu
profundo sob o peso rasgado da chuva

mesmo a certeza desaba além dos homens

longa e lenta a história inscrita nessas mãos
mais vivas do que a luz no impulso do fim
mais ocas do que as trevas à procura do azul

Lilia

domingo, 27 de junho de 2010

a tarde

fiquei a tarde à toa no poema a tarde definhando
as cores vivi a tarde esquecendo o tempo
a tarde é pouca e raros os amores
pensei a tarde como um corpo inteiro e estive tardemente
em toda vida cheguei depois do tempo e descobri
que não seria mais no tempo que me coube
não seria e não fui e tão suavemente que nem soube
que a passagem espreita um só momento e quando
cadente estrela desabamos já a cinza é tudo e nada
e somos o vazio o esplêndido vazio que entende a tarde

Lilia

3 comentários:

rediqueti Overland disse...

Ai que belo, que solto, que rio fluindo nessa tarde, mana! Adorei.

bruta flor disse...

Aqui, noite caindo à toa e eu me deliciando com seus poemas.
Bom saber que está por perto.
bjs
LB

Vera disse...

Com sua delicadeza, você atravessa a tarde, os dias, e vai ficando em cada pessoa que lê seus poemas.

Beijo,
Verinha.