Azul sem nome


longo destino sob a noite nas pedras de ninguém
quando o rio destoa das vertentes do céu
profundo sob o peso rasgado da chuva

mesmo a certeza desaba além dos homens

longa e lenta a história inscrita nessas mãos
mais vivas do que a luz no impulso do fim
mais ocas do que as trevas à procura do azul

Lilia

domingo, 8 de agosto de 2010

ontem ainda

Le temps déborde.
Mon amour si léger prend le poids d'un supplice.
(Paul Eluard)

o sonho tem o peso de um suplício

o tempo transfigura amores
e pesa mil dores de mães e filhos únicos
de outras dolorosas mães amantes filhas filhos

o amor pesa e transborda em sua foz
ao longe não se mistura ao sal
do mar
das lágrimas
desanda pela cruz

demain encore eu desperdiço o tempo
nos papéis lençóis sem pauta em silêncio
desenho soluções nos chãos da casa
na leveza das caixas
resvalam
e deságuam nas lâmpadas apagadas

revejo sorrisos inteiros madrugadas
insone ritual sem peso ontem ainda
era o meu tempo
era o meu rosto
o meu rio as cruzes minhas
o suplício leve...


Lilia

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